|
domingo, janeiro 05, 2003
Em homenagem ao Ano-Novo, aqui vai uma do Drummond.
Sei que festividades e reflexões sobre a passagem do ano não estão mais em voga, mas como a coisa toda oficialmente só termina amanhã, Dia de Reis, então acho que estou perdoado. Pelo menos para os cristãos.
RECEITA DE ANO NOVO
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
*******
Filosofando...
É minha gente... eu já dizia, quando falei sobre a diferença entre as figuras "ativa" e "reativa", e sua influência para a felicidade humana.
Essas pessoas que tomam resoluções de Ano-Novo, por mais que sejam bem-sucedidas em realizá-las, as tomam baseando-se em uma cenário externo. You see, o estímulo para a mobilização e para fazer as coisas vem de fora do indivíduo. Então, quando o estímulo cessa... a casa cai.
Não estou bem certo, mas do alto de meus (agora) 23 aninhos, algo me diz, deep inside, que a felicidade depende de um ato de vontade. Uma atitude resoluta de chamar a responsabilidade para si mesmo, e parar de vincular seu conceito de felicidade a algum fator externo, como um emprego, uma pessoa, um casamento, namorado, whatever.
Reagir às situações que se apresentam e adaptar-se ao ambiente não faz ninguém feliz. É preciso agir, e fazer com que o ambiente adapte-se a você. In a broader perspective, o próprio progresso da humanidade dependeu, em última análise, da adaptação do meio ambiente em prol dos desejo dos homens.
A felicidade é um ato de vontade. E não depende de maneira nenhuma de cronologias. "Tudo muda, o tempo todo, no mundo" já dizia a musiquinha. A gente é que se ilude, e acha que nossa vida é feita de "processos"... Bullshit! Cronologias não valem nada, já dizia o Drummond aí em cima. O que interessa é sua atitude. E aí, vai ser feliz ou não vai? Só depende de você.
É loucura minha, eu sei... mas como diria uma amiga minha, ao citar Weber, "o progresso depende dos loucos"...
RAFA @ 11:32 tic-tac-tic-tac
sexta-feira, janeiro 03, 2003
Desisto. Não vou escrever tudo o que eu tinha escrito antes de novo. Tô sem paciência, tá tarde... não dá.
Amanhã se eu tiver tempo eu escrevo. Mas já vou adiantando: é sobre o quinto movimento da 6a. Sinfonia, a "Pastoral", de Beethoven. Não, meus queridos, não é a Abertura da sinfonia não. Ela até que é legalzinha... mas eu estou me referindo mesmo ao quinto movimento. Prestem atenção nisso quando vocês forem baixar nos seus KaZaas da vida.
É uma das minhas clássicas favoritas, e eu me lembrei dela no outro dia... ai ai ai. Já tô escrevendo até demais pra quem tava sem paciência. Stay tuned.
Amanhã vai ser um dia cheio... Acabei de ler na Folha online que é possível que o Lula suspenda a compra de caças para a FAB ! Ai ai ai, já tô até com medo do que eu vou ouvir.
RAFA @ 00:34 tic-tac-tic-tac
Eu estou virando especialista em perder meus postings aqui.
Acabei de perder mais um. Não tão grande, mas mesmo assim. A vontade que dá é de gritar, mas já passa de uma da manhã... e além disso acho que eu já tô até me acostumando. Já dá pra contar até dez e engolir a seco o desastre.
O foda é sentir-se compelido a escrever tudo de novo.
Que raiva.
*******
Momento Be Very Afraid #1.
Olha só o meu horóscopo de hoje!!!
"Você vê tudo de forma alegre ou dramática demais. Tente cultivar sentimentos de simplicidade em você para conseguir lidar melhor com suas emoções.
Dica do dia: Toda essa harmonia que está reinando no seu trabalho vai repercutir no seu lar hoje. A sensação de bem estar com o começo de ano vai fazer muito bem a vocês."
That's just so tipically me!
RAFA @ 00:18 tic-tac-tic-tac
quarta-feira, janeiro 01, 2003
Um fragmento de um e-mail que eu mandei ontem para a Pretinha, só pra explicar a coisa do posting perdido... (Obviamente, partes sensíveis são omitidas...)
"Enfim, about me... Eu acordei tão triste hoje!!!! Sério cara, lembrei de umas 300 mil coisas ruins que rolaram esse ano, e ainda mais com esse clima de apatia aqui em bsb, me deu um desânimo..... nem queria sair da cama hj.Fui pro trabalho, não tinha nada pra fazer nem ninguem para encher o saco, comecei a escrever um posting gigantesco no meu blog. E na hora de postar, BUM! Perdi tudo num erro do Explorer..... que RAIVA que me deu, Prê... Mas só de escrever umas coisas já melhorou o meu humor, fiquei bem melhor... já até pensei sacanagem hoje, pra variar...heheheheh... Primeiro lembrei daquela tarde (...censored...) até olhei pro lado pra ver se não tinha ninguém vendo mesmo...heheheh.... Depois lembrei do amasso (...censored...) Cara, o ser humano é um bicho esquisito mesmo, quanto mais pisa, mais gama. Que beijo bom! E acho que não foi nem pelo beijo em si, mas pela expectativa... Pra vc ver como eu me fodo nessa vida! EU ME FODO MUITO!!!!! "
É galera... a expressão escrita tem um puta efeito terapêutico.... escrever realmente faz vc ver as coisas sob outra perspectiva. Vai ver é por isso que só pessoas deprimidas têm blog. Teve um tempo que eu achei mesmo que eu devia parar com isso. Falava pra mim mesmo "fala sério, essas pessoas que se lamuriam online, quando podiam estar fazendo alguma coisa..." Em grande medida ainda acho isso, mas por via das dúvidas, já que é uma coisa que tá me fazendo bem, o brogue fica no ar.
*******
Como hoje é primeiro de janeiro, não posso deixar de escrever my hopes for the new year. Primeiramente, devo começar com uma liçãozinha que eu aprendi do reveillon passado pra cá. Depois do reveillon 2001-2002, tinha prometido a mim mesmo que nunca mais passaria a virada do ano em Brasília, por aquelas razões de sempre, nào tem ninguém na cidade, tá sempre chovendo essa época do ano, reveillon na Esplanada é mor deprê, etc etc etc... Esse ano, cá estou eu na capital federal mais uma vez para a virada, e pior, por escolha própria. Eu explico: my dear mother queria porque queria que eu passasse o natal em casa. Daí eu negociei: "Eu viajo no natal, mas no ano novo pode deixar que eu fico com vcs..."
É minha gente, life is just a big trade-off. Moral da história: nunca imponha metas a si mesmo que você não tem noção que podem ser cumpridas. Metodologicamente, separe o que é 'objetivo' do que é 'variável' no sistema. é claro que passar o reveillon em bsb não estava nos meus planos. Mas, como não é um objetivo em si mesmo, é o tipo de coisa que roda quando a coisa aperta. O que pretty much qualifica isso como variável no sistema. Entenderam?
Enfim, não sei o que será de 2003, mas anos ímpares costumam me dar mais sorte. 95, 97 e 99 foram anos bem legais. 2001 também, apesar da coisa toda ter feito água de setembro pro final. E seguindo o modelo de não pedir demais nem estabelecer metas sem-noção, eu quero coisas simples. Vocês sabem da minha predileção por fazer top-fives, mas como é muito difícil priorizar neste caso, vou apresentar as cinco metas sem hierarquia. Feito?
Bem, em primeiríssimo lugar, me formar. Não agüento mais essa lenga-lenga administrativa da UnB, só faltam mais 3 matérias pro meu diploma de REL, e eu já estou desde 97 na Universidade. Não aguento mais me sentir passado para trás. Acho que vou engage a campaign on this issue. Me formar abriria algumas portas para mim com certeza. Se eu tivesse um canudinho...
Segunda meta: ganhar uns 8 quilos. Eu não engordo de verdade desde 96, então algo está bem errado nessa história. Tenho que malhar sério, comer melhor, e fumar menos ainda. And that's gonna be the most painful, for sure.
Terceira meta: be promoted lá no MD e ganhar mais, pelo menos o suficiente para meus luxinhos e momentos self-indulgement. As coisas nesta última viagem teriam sido beeem diferentes se eu estivesse mais folgado de grana, definitivamente. A coisa do MD já está mais ou menos em execução, vamos ver se rola mesmo. Mas se não for lá no MD, pode ser anywhere else. Só quero fazer o que gosto e ganhar o justo por isso. Dois paus would be fair enough.
A quarta é acadêmica. Publicar meu study guide, escrever uma ótima dissertação final de graduação, ter um bom AMUN. Se a coisa da pós-lato lá na UnB em Dir. Int'l dos Conflitos Armados der certo, it's gonna be heaven...
Last but not least.... um relacionamento estável. Por mais que a coisa toda esteja (bem) mais frequente agora, me falta someone for the long run. Principalmente depois de constatado o trauma: eu nunca fiz um ano de namoro com ninguém! How absurd... Enfim, uma pessoa linda, que me dê colo and lots of sex... hahahahah....
Será que papai do céu me atende dessa vez? Eu nem to pedindo muito... o Rio Branco e o mestrado fora podem ficar para 2004...
RAFA @ 22:11 tic-tac-tic-tac
Estou um bagaço só... Fui para a posse de sua Excelência, o Presidente da República.
Being really honest? Estou meio disappointed. A coisa toda foi um caos! Sério mesmo, se nós brasileiros já demonstramos ser competentes o bastante para fazer uma transição democrática, ainda não o fomos para fazer um cerimonial organizado. Coisa mais feia, as pessoas se amontoando, ninguém circulava direito... putz! Que galera mais sem-noção!
Bem, isso é o que eu chamo de falta de cultura institucional. Ainda não conseguimos estruturar uma liturgia para a democracia brasileira. Vou pensar nisso nas próximas semanas, com certeza. E podiam começar revendo os uniformes da Guarda Presidencial, que além de terem um modelo pra lá de feio e desatualizado, é mal-cuidado. Isso é que dá, vacas magras nas Forças Armadas tanto tempo....
Depois, podiam pensar em dar antes das cerimônias uma cartilha para os presentes, informando que compotamentos de exceção (tirar fotos e fazer corpo-a-corpo) atrasam o cerimonial e dão a maior dor de cabeça. As pessoas realmente não se dão conta que as autoridades estão lá para o país, e não para dar atenção a cada uma delas.... Just absurd...
Mas, no final, foi legal ver algumas coisas serem ditas. Enfim, I hope things change this time...
*******
Amanhã algumas coisas devem mudar lá no ministério, eu só não sei bem o que, ou quem. Vamos ver.
Só sei que levarei meu chimarrão para o trabalho, e o deixarei por lá. Estive pensando, e cheguei à conclusão que a minha ida ao Sul agora trará como conseqüencia a retomada de um paradigma de ação, abandonado quando comecei a me adaptar a esta cidade.
*******
Todo mundo precisa de uma âncora. E aqui em BsB, com tanta gente de fora, todo mundo tem a sua nos seus lugares de origem. Obviamente não conto as pessoas 'nativas' daqui, que são bem raras, principalmente no meu meio. Eu mesmo nunca tive nenhuma âncora, como vcs sabem fica bem difícil se vc foi cigano a vida toda. Nasci em Recife, terra dos meus pais, e ia para lá todo fim-de-ano quando era mais novo. Mas... nunca me senti como sendo de lá, até porque todo mundo por lá sempre fez questão de me tratar como "o de fora". E mais: Recife pra mim sempre foi lugar de chill out. Never posed any challenges. A sensação que eu tinha era que eu sempre estava um passo à frente dos demais lá. And surprisingly that was not good.
Até agora o lugar que eu morei mais tempo foi o Rio, ao total 6 anos. Seria de se esperar que a minha âncora fosse lá. Mas... bem, pra mim rola uma incompatibilidade da cultura local com a minhe personalidade mesmo. Nunca gostei dessa coisa "malandragem". Além disso, I never really dug the place. Eu gostava (e gosto muito ainda) da Urca, lugar onde eu cresci, mas nunca gostei muito do resto da cidade. E por isso fico bem restrito àquela área quando vou pra lá.
Porque eu estou falando isso? Porque hoje, ao ver as bandeiras do RS e as pessoas pilchadas lá na posse, fiquei pensando no que aquele lugar significa para mim. O RS para mim é diferente... E tem uma certa lógica. Afinal, foi o segundo estado que passei mais tempo, e isso contando o tempo lá em Santo Ângelo, que com certeza me marcou muito. Não tenho certeza, mas acho que o que rolou por lá foi uma identificação profunda, não só com a história e com os feitos heróicos, mas com o jeito de ser das pessoas. Não há lugar no Brasil onde o senso de nacionalidade seja tão agudo e perceptível. E isso soa como música para quem, como eu, escolheu o Brasil como religião.
Mas é um pouco mais que isso. Quando fomos pra lá em 97, vínhamos de 3 anos direto no Rio. E lembro que o clima na família era de "estamos de saco cheio do Rio, dos engarrafamentos, da violência urbana, dos problemas de big city". Era pra nunca mais voltar, só a passeio, e só no nosso 'feudo', a Urca e vizinhanças. E ir para um lugar tão oposto, uma cidade pequena e tranquila como Santo Ângelo, se a princípio foi um choque, a longo prazo nos mostrou qual era o significado da expressão "qualidade de vida". E foi isso o que eu pude experimentar de novo lá em PoA esse fim de ano.
O mais engraçado é que eu, quando estou por lá, às vezes gosto de deixar claro meu status de observador externo, e faço até minhas resistências... mas acho que é só pra ver como eles se portam em reação. É engraçado... as pessoas lá fazem o possível para te deixar num patamar igual. É bem verdade que muitas vezes lá em Santo Ângelo me tratavam feito o "bichinho", o diferente... e eu sofria pra caramba com isso. Mas hoje, pensando bem, percebo que isso era a exceção.
Não me considero gaúcho, estritamente falando. Prefiro o status de "observador bem engajado", como diria o Aron. Mas não posso negar que a combinação dos fatores identificação pessoal e senso de aceitação me fizeram muito. Sim, me considero gaúcho de coração, ou pelo menos por opção. So what?
Um dia ainda volto pra lá, para estabelecer a minha "âncora externa"... de preferência numa estância lá em Santo Ângelo, ou num sobrado daqueles perto da Redenção, em PoA. Quem sabe, até arrumar um 'cobertor de orelha' por lá... Mas acho que vou ter que ganhar um pouco mais before making any plans. Até lá, please, não encham meu saco se eu quiser tomar meu chima ou botar "os Serranos" no meu mp3 player. Am I making myself clear?
Eigalê véio guasca!!!
RAFA @ 20:55 tic-tac-tic-tac
|